O título resulta de uma adaptação da frase de Eric Arthur Blair , um escritor que descreveu uma sociedade distópica como ninguém, não muito diferente dos actuais tempos sombrios, onde parece que a repetição de certas ideias ad nauseam, constitui a principal validade dos argumentos, a verdade absoluta. Uma autêntica lavagem cerebral! “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Lembra-se?
Estamos nesse nível, repetir muitas vezes, por diferentes canais, por diferentes pessoas, com diferentes backgrounds, com diferentes estilos controlando as ideias e o vocabulário e lá chegamos ao consenso social.

Assim, o indivíduo que ousa pensar diferente é assassinado do ponto de vista moral, social e intelectual.
Sem o conforto grupal, o indivíduo acomoda-se, não há contraditório, não há inovação, fica tudo conforme o consenso. Uma imaturidade perpétua!
Se ousa expressar-se contrariamente ao consenso, sofrerá um ataque cerrado a toda a hora, de diferentes frentes, até desaparecer de cena, relegado às catacumbas da moralidade, da intelectualidade e da sociedade.
Um Gulag sem “maus-tratos” físicos (por enquanto)!!!
Até as “armas de arremesso” já estão preparadas (negacionista, terraplanista, teórico da conspiração, etc.), só muda mesmo é o calibre.
Às vezes é através da sátira, para doer menos, para cozer em “lume brando”. “Isto é gozar com quem pensa diferente”. Todo um batalhão de “soldadinhos” prontos a atirar.

O controlo do vocabulário, lembre-se! Já nem precisa de guião. Pense lá, em casos recentes. Experimente.
Antonio Gramsci explicou a estratégia, agora só a aplicam! Nada de novo, portanto!
Ele não imaginava é como tudo isto podia ser impulsionado pelos meios de comunicação, sem princípios éticos, sensacionalistas, recheados de efeitos especiais, com um batalhão de jornalistas progressistas, analfabetos funcionais e a “recibos verdes”. Muito à frente para o seu tempo, normal para o nosso admirável mundo novo.
Ao estilo de “vendedores da banha da cobra” ouvimos em diferentes meios de comunicação de forma sistemática, estratégica e cronometrada, o apelo “temos que confiar na Ciência”.

Então, mas se a Ciência segue um método rigoroso, que permite o contraditório, se constitui uma “reserva moral”, logo confiável precisa de publicidade? Seguindo esses pressupostos, já não é ela, inerentemente confiável? Então, porquê tanta necessidade de promover a confiabilidade da Ciência? Que se passa?
Ou será aquela Ciência ao estilo marxista, o que é marxista é elevado à categoria de Ciência, todo o resto é diminuído ao nível de lixo, mesmo sendo de caracter científico (percebeu o trocadilho?)?

Por via das dúvidas, há que repetir muitas vezes para que não haja dúvidas. “Um povo difícil de governar” diria um político da nossa praça. É preciso repetir muitas vezes, não vá haver dúvidas. Já não custa, já o foram domesticando, ensinando que fazer perguntas é uma heresia. Tudo em “lume brando”. “As coisas são como são”. “Eles dizem”.

Outra expressão é “consenso científico”. Então, mas o que é um consenso? Todos os cientistas do mesmo âmbito estão de acordo? É possível juntá-los a todos? Então, mas não existem diferentes linhas de investigação? Como foi possível avançar no conhecimento se todos pensavam igual? Ou o consenso é só daqueles especialmente selecionados para ser “consensuais”?
Como dizia no outro dia um médico: que especialistas? Com que currículo? Que relatórios? Lá se vai o consenso!

Os políticos ensinam-nos umas coisas sobre “um esforço de consensualização científica” (ver link abaixo). Sorria!
E se um “especialista” com base no seu conhecimento não estiver de acordo, já não há consenso? O que fazemos a esse? Vai para as catacumbas e os outros continuam!?
Não será um consenso, o reconhecimento de um grupo de especialistas que existe um problema, ao invés de uma solução sustentada por um robusto corpo de evidência? Ou é um parecer de um grupo que fez um “esforço de consensualização científica”? Todo um detalhe de vocabulário. O científico não pode ser consensual, caso contrário interrompia o seu processo de evolução. Ficaria pelo consensual.

Simples, se é científico não é consensual, se é consensual não é científico. Todo o resto é uma tentativa de preencher o vazio com o vácuo.

https://www.publico.pt/2021/02/12/ciencia/noticia/consenso-cientifico-nao-sabemos-politica-nao-gosta-1950497

A história não fica por aqui, dizem “temos que dar ouvidos aos especialistas”! Mais uma vez, que especialistas? com que currículo? Pergunte, também! Na lógica de Gramsci, os analfabetos são promovidos à classe de “intelectuais” e o Lula a doutor honoris causa por uma universidade portuguesa. Tudo para bem do consenso consensual (não vá haver dúvidas que o consenso deva ser consensual)! P.S. – Esteja atento aos pleonasmos! É um dever cívico.

Além disso, já reparou que os jornais apresentam os resultados científicos dos diferentes estudos (em particular do assunto da moda) destacando as descobertas “consensuais” e muito frequentemente nem fornecem a informação completa, nem dispensam o link do artigo científico para sua verificação. Não vá alguém querer fazer uma verificação completa dos factos! Mas na verdade, não esperam que o faça e que fique apenas pelas “gordas” ou pela “espuma dos dias”. Eles sabem que as pessoas são “consensuais”, sem saber que o são. O que importa é que clique! Clique muito! Mas nem tudo é mau, por vezes lá apresentam na parte do final do texto alguma informação importante. Não esperam que chegue a essa parte do texto sequer, mas pelo menos não ficam com a consciência tão pesada. Toda uma sequência toda ela muito oportuna, gramaticamente irrepreensível! Nem Gramsci se lembraria.

Então com tanta informação, como reconhecer o realmente é de qualidade?

Gualdim Pais