Hoje acordámos com a notícia de um acidente na auto-estrada A1, que resultou na morte de uma jovem, filha de um cantor conhecido, Tony Carreira. Nada haveria mais do que lamentar a perda de uma vida, se é filha de uma vedeta já são conversas que a mim pouco acrescentam. Há coisas mais importantes para o bem comum que discutir no meio de uma ditadura, se o condutor, sobrevivente e em estado grave, cometeu alguma heresia que afectou a comunidade.

Além das questões morais, para quem se quer arrogar de muito cívico, já começamos mal. Não é altura com um corpo em câmara ardente, fazer juízos de valor e apurar responsabilidades, devíamos guardar esses ímpetos seculares para outra altura. A outra questão moral é que o único sobrevivente parece estar entre a vida e a morte, ou se não está, não é de bom tom, neste momento linchar um ser humano, que como todos nós, erra, acelera, desacelera, não olha para as condições do terreno, se distrai, um sem número de variáveis, que nos devia dar um pouco de decoro, ter contenção nas palavras.


Como a populaça quer sangue, há uma atracção pelo risco, nos acidentes há uma curiosidade mórbida em parar o carro, ver alguém com as tripas de fora e miolos no alcatrão, talvez com o intuito de mais tarde conviver, falar das tristezas, um fado triste portanto.

O problema está que estas opiniões avulsas sem que se leve nada com profundidade, leva-nos à miséria.
Primeiro porque ainda não descobriu que essas tendências o levaram à ruína e à cultura da multa, hoje, as multas, é já por si só, uma indústria que se move e tem seguidores, tudo para subsidiar os carrascos.

A velocidade como único factor de de causa de um acidente é redutor, não diz nada, há ou havia autoestradas na Alemanha sem limites de velocidade, não se consta que tenha havido mais acidentes por isso, isto num país totalitário e opressor, que tem um população controlada, que pratica censura, que controla a população, que não abandonou de todo as raízes totalitárias, mas nós queremos sempre mais.
Eu posso ir a 200 km em determinado piso e carro com total segurança, com muito menos risco para mim e para os outros, do que camião a 50 km, uma simples bicicleta pode fazer o mais mortal dos acidentes.
Não admira que os políticos tenham encontrado um filão do escalpe, em Singapura não adoptaram as mesmas práticas de caça à multa, ou se quiserem, escusas para arrecadar mais impostos. Os condutores, são perseguidos pela polícia em carros descaracterizados, apenas os bons condutores, a polícia não procura os maus, não anda a colocar radares atrás dos caixotes do lixo. Se um condutor se porta bem durante 10 ou 15 km, não fazendo nada de grave, a polícia manda parar e entrega um um prémio, penso que será mais de 500 euros. Ou seja, os políticos e a sociedade pretende educar em vez de castigar.

Em Portugal, gostam muito do chicote, não admira que gostem da miséria, das máscaras, das quarentenas, e de tudo o que cheirar a fraude, a mentira, populismo e totalitarismo. Ahh que lhe arrear com o chicote, não perdoem nada, nem na morte eles perdoam os ímpetos totalitários são mais fortes. Recomendo uma arruada ao hospital para arrear no condutor.

Não percorri o mural mais de 5 segundos e logo encontrei mais um ímpeto à miséria, mais uma glória à pobreza, é digamos que uma paixão ardente.

Partilhei um cartaz que lamentava outra perda, Walter Williams de 84 anos, um economista que afirmava o seguinte no post:

“Por causa do salário-mínimo perdi meu primeiro emprego como lanterninha num cinema. O valor que eu gerava se tornou inferior aos benefícios que eu trazia ao cinema quando estabeleceram um piso mínimo. O salário-mínimo apenas desemprega as pessoas que mais precisam trabalhar.”

Não faltou muito tempo, que os advogados do salário mínimo, logo viessem dizer que sem salário mínimo os patrões em Portugal não pagariam mais de 200€, isto leva-nos a várias perguntas:

– Porque os empregadores portugueses iriam ser mais sovinas que os dinamarqueses por exemplo? O que leva uma pessoa a pensar que um patrão Português ser uma meliante e o Dinamarquês um mãos largas?

A resposta deu-a o Professor José Manuel Moreira, até o mais sacana tende aportar-se bem se o sistema for amigo das boas práticas. O Professor dava o exemplo de um pai que tendo um chocolate e querendo distribuir equitativamente pelos dois filhos, dá o chocolate, e recomenda, um parte e o outro escolhe primeiro. Se o primeiro partir mal vai de certeza ficar prejudicado, logo o sistema obriga a que se portem os dois bem.

– Outra pergunta seria, porque a Dinamarca não tem desemprego e tem a maior flexibilidade laboral da Europa?

Portugal com tanta vontade de proteger o salário dos trabalhadores, enquanto que o estado leva outro salário e o empregado não se indigna, acumula 20% de desemprego e os salários são miseráveis.

Os salários em Portugal descontando a competitividade, são miseráveis porque não existe concorrência entre empresas pelo activo “trabalho”, Portugal é enclave comunista que protege os mais qualificados, deixando de lado os menos, pois o empregador sendo obrigado a contratar por determinado valor, escolhe o mais qualificado, isto leva a que o menos qualificado nunca venha a ganhar qualificação, fique parado, os empresários valorizam quem sabe trabalhar, em empregado já formado de outra empresa concorrente é mais bem pago, é uma garantia de qualidade do activo.

A) Vamos supor que eu quero pintar a minha casa, e vou pedir orçamento a um pintor qualificado.
B) Vamos supor que eu quero pintar aminha casa, e vou pedir orçamento dois garotos.

No caso A pedem 1000€.

No caso B pedem 600€.

Qual dos orçamentos você escolheria? O B é claro.

O Pintor qualificado descobre que perdeu o trabalho, vai ao sindicato que reclama ao legislador que para pintar muros é preciso uma carta de condução de pinturas. De seguida temos novos negócios pendurados numa falsa economia, as escolas que passam papéis a dizer que o pintor sabe pintar e está sindicalizado. Os políticos cobram IVA do papel, para andar de bons carros é claro.

Quem ficou a perder? Os mais pobres e menos qualificados, que não ganham mais trabalhos, se arriscam a trabalhar ao negro são delinquentes, não conseguiram ganhar experiência e apresentar ao mercado um serviço a menor custo. Todos ficariam a ganhar se pudessem pintar a um menor custa, e havia mão de obra disponível para o fazer, e provavelmente as pessoas que mais precisam de trabalhar.
Reparem que o pintor não lhe iria faltar trabalho, provavelmente continuaria a melhorar os seus conhecimentos e cobraria na mesma um valor elevado, faria e poderia especializar-se em outros trabalhos ou os mesmos a baixo custo, investindo na produtividade, em máquinas, etc, com outras vantagens para os clientes.

Toda a sociedade ficou a perder menos os políticos. Na cesta de bens, serviços, ao final do mês, tudo ficou mais caro e menos poupança obtida, menos investimento, menos riqueza.

É um apetite voraz por um triste fado, pela miséria sem fim à vista, assim como pelo chicote.


Farroupim Dom Fuas Roupinho

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